Até ao momento, há duas vacinas aprovadas pela Agência Europeia do Medicamento (EMA, na sigla em inglês). A primeira vacina a ser aprovada foi a Comirnaty, desenvolvida pelos laboratórios BioNTech e Pfizer, autorizada pela Comissão Europeia no dia 21 de dezembro. Começou a ser distribuída pelos países da União Europeia (UE) ainda no dia 26 do mesmo mês, com a vacinação a iniciar-se imediatamente no dia seguinte na maioria dos países. Já a vacina da Moderna recebeu luz verde já rolava o novo ano, a 6 de janeiro, e entra em distribuição durante o primeiro trimestre de 2021.

Há diferenças consideráveis entre as duas:

Vacina da Pfizer/BioNTech

Vacina da Moderna

1. Quem pode ser vacinado?

Segundo o guia de vacinação covid-19 do Ministério da Saúde, “toda a população portuguesa poderá ser vacinada, desde que seja elegível de acordo com as indicações clínicas aprovadas para cada vacina na União Europeia”. A vacina é gratuita e voluntária. Contudo, as autoridades de saúde recomendam fortemente a vacinação como meio para controlar a pandemia.

Neste momento, em Portugal, está a ser administrada, quase na totalidade, a vacina da Pfizer/BioNTech, indicada para maiores de 16 anos e que pressupõe duas doses, com um intervalo mínimo de 21 dias. Caso haja atrasos na toma da 2ª dose, a DGS confirma que esta vai ser administrada “logo que possível”, já que “para ter proteção é importante ter ambas as doses da vacina”.

2. Quem é prioritário?

A disponibilidade das vacinas é ainda limitada e, por isso, foram criadas fases por categorias de prioridade. As pessoas que, para a DGS, correm maior risco ou estão mais vulneráveis ao contrair a infeção são as pessoas que vão ser vacinadas na primeira fase e por aí em diante. Até ao momento, estão pensadas três fases no plano de vacinação, mas tal pode sofrer alterações em função de novos desenvolvimentos científicos, indicações ou contraindicações que possam surgir.

Fase 1 (que começou em dezembro de 2020)


– Profissionais de saúde envolvidos na prestação de cuidados a doentes

– Profissionais das forças armadas, forças de segurança e serviços críticos

– Profissionais e residentes em lares ou similares

– Profissionais e utentes dos cuidados continuados integrados

– Pessoas com 50 ou mais anos, com pelo menos uma destas patologias (a partir de fevereiro):

Insuficiência cardíaca
Doença coronária
Insuficiência renal (com Taxa de Filtração Glomerular < 60 ml/min)
DPOC ou doença respiratória crónica com suporte ventilatório e/ou oxigenoterapia de longa duração

– Pessoas com mais de 80 anos (neste momento, sob atualização do plano de saúde)

– Trabalhadores de serviços considerados essenciais como bombeiros e forças de segurança e titulares de cargos públicos (neste momento, sob atualização do plano de saúde)


Fase 2 (estima-se que a partir de abril):


– Pessoas com 65 ou mais anos que não tenham sido vacinadas na fase anterior

– Pessoas entre os 50 e os 64 anos, inclusive, que tenham, pelo menos, uma destas patologias:

Diabetes
Cancro maligno ativo
Doença renal crónica (com Taxa de Filtração Glomerular > 60 ml/min)
Insuficiência hepática
Hipertensão arterial
Obesidade


Fase 3 (sem data ainda prevista, mas já depois de concluída a fase 2):


Restante população que ainda não tenha sido vacinada, ou seja, adolescentes e pessoas até aos 65 anos saudáveis – o último grupo a ser imunizado.

3. Na dúvida, como sabe quando é que pode ser vacinado?

O processo de vacinação vai decorrer ao longo do ano. Não sendo possível pedir a marcação da vacina, cada pessoa deve aguardar as informações do médico ou do enfermeiro de família. Caso não tenha médico de família, deve ser a própria pessoa a contactar os centros de saúde, já com uma declaração médica de um médico privado ou seguro que ateste a necessidade de vacinação.

Pode usar o simulador criado pelo Serviço Nacional de Saúde para ter uma previsão de quando pode ser vacinado, tendo em conta as fases que estão previstas: https://covid19.min-saude.pt/vacinas/.


4. É seguro tomar a vacina?

Aqui, reforçamos que, segundo a DGS, foi feita uma avaliação rigorosa pela Agência Europeia de Medicamentos, tal como acontece para qualquer outro medicamento. A eficácia, a segurança e a qualidade são garantidas através de ensaios clínicos que, no caso das vacinas contra a covid-19, “decorreram de acordo com os procedimentos habituais para ensaios de qualquer vacina”, garante. Não há ainda dados suficientes para recomendar a vacinação de crianças com menos de 16 anos e grávidas.

5. Pode haver efeitos adversos/secundários? 

Pode. “À semelhança do que se passa com qualquer medicamento, os ensaios não podem excluir a ocorrência de efeitos adversos muito raros, só detetáveis quando uma vacina é dada a milhões de pessoas”, esclarece a DGS. No entanto, a DGS sublinha que, na fase de ensaios, durante oito semanas e após a toma da 2ª dose, foram acompanhadas “dezenas de milhares de voluntários”. Não se verificaram efeitos adversos com “frequência ou gravidade destes efeitos que ponham em causa a segurança das vacinas”, reforça.

Efeitos secundários identificados nos ensaios


– Dor no local da injeção

– Fadiga

– Dor de cabeça

– Dores musculares

– Dor nas articulações

– Febre

– Outras reações: vermelhidão no local da injeção e náuseas.

Estas reações são, segundo a DGS, “na maioria”, ligeiras ou de curta duração: após a vacinação, “geralmente, estes efeitos desaparecem ao fim de 24 a 48 horas”. Em caso de persistência ou de aparecimento de outras reações, deve ser procurado o aconselhamento médico, enfermeiro ou farmacêutico.

6. Em que situações não deve ser vacinado?

Se estiver com febre, tosse, dificuldade respiratória, em caso de alterações do paladar ou do olfato. Isto serve tanto para a primeira fase como para a segunda. Deve aguardar até à recuperação completa, para evitar sobreposição dos sintomas da doença com eventuais efeitos adversos à vacinação. Há mais exceções: não deve ser vacinado quem estiver em isolamento profilático, em isolamento, à espera de teste ou se não tiver a certeza de que está bem. 

Em casos de reação anafilática prévia a medicamentos, incluindo vacinas, ou alimentos, a vacinação deve ser realizada em meio hospital e por indicação do médico assistente.

7. Quem já esteve infetado pode receber a vacina?

Sim, os ensaios clínicos provaram que a vacina é segura para as pessoas que já tenham contraído covid-19. No entanto, não deverá estar no grupo de maior prioridade. 

8. Pode ser infetado pela vacina?

Não. Nem a vacina da Pfizer/BioNTech nem a da Moderna contêm vírus que causam a doença. No entanto, pode ter contraído a covid-19 nos dias antes ou imediatamente depois da vacinação e surgirem sintomas poucos dias depois de a receber.

9. Onde pode levar a vacina?

Aos grupos prioritários, a vacina é fornecida nos centros hospitalares, centros de saúde, lares e unidades de cuidados continuados. Para as fases seguintes está a ser equacionada a possibilidade de serem criados centros de vacinação e alargamento às farmácias – uma das formas de acelerar o processo de vacinação, segundo Francisco Ramos, diretor da task force que elaborou a estratégia nacional de vacinas.

10. Depois de tomar a vacina tem de usar máscara na mesma?

Sim. Segundo o guia do Ministério da Saúde, só sete dias depois da toma da segunda dose da vacina é que se deve considerar protegido contra a covid-19. Ainda assim, como não há garantias de que depois da vacina se deixa de ser portador e transmissor do vírus, sem exibir sintomas, as máscaras e o distanciamento devem continuar a ser considerados. A vacina apenas confere proteção contra a doença, mas não evita completamente o risco de infeção.

Balanço da vacinação em Portugal


– Já foram administradas 212 mil vacinas*

– Espera-se que o processo de vacinação nos lares esteja concluído ainda em janeiro**

– Objetivo de ter 70% da população adulta vacinada até ao final do verão**

– Certificados de vacinação estão a ser discutidos na UE com modelo uniforme**

* Dados a 22 de janeiro, divulgados pelo Serviço Nacional de Saúde
**Dados a 21 de janeiro, divulgados pelo primeiro-ministro, António Costa.


Ver Fontes (3)